Resumo da Missão Inovação – Por Anna Carolina Maccarone

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01 de junho de 2015

 

Por Anna Carolina Maccarone (Gerente Executiva ABEDESIGN/Brasil Design)

 

Aqui no Vale do Silício esquece tudo que se sabe sobre "pensar fora da caixa". O modelo mental que faz parte da cultura das pessoas que vivem aqui é totalmente voltado para o empreendedorismo, novas idéias, "make money". No primeiro dia de visitas da Missão de Inovação, realizado pela ABEDESIGN – Associação Brasileira de Empresas de Design – através do projeto Brasil Design e em parceria com a Apex-Brasil, foi intenso e já levou o grupo para uma reflexão sobre seus  modelos de negócios. 

Entrar na Airbnb, a maior empresa de locação de residências (sem mesmo ter uma), foi uma grande experiência. Um espaço altamente amplo, com arquitetura incrível e espaços totalmente abertos. Cada espaço da empresa é a reprodução de um apartamento de um país. De seus 800 funcionários nos Estados Unidos, algo em comum nos processos de seleção: todos compactuam a cultura de compartilhamento (sharing economy). E esta cultura de compartilhamento não esbarra somente no Airbnb, é uma cultura cada vez mais presentes no modelo de negócios de empresas americanas, como por exemplo: Ebay, Uber, Lift, entre tantas outras.

Através do escritório da Apex-Brasil em São Francisco (Fernanda Baker), tivemos a oportunidade de conversar com o Cônsul Geral do Brasil, Exmo. Sr. Eduardo Prisco. Neste encontro as empresas de design brasileiras puderam conhecer com detalhes o modelo mental do ambiente corporativo do Vale. Aqui as pessoas querem empreender, ter uma idéia, implementar e vender sua empresa para poder gerar um novo negócio. Ter tido negócios é uma qualificação tão importante quanto sua formação acadêmica. E não pense que é somente empresas de sucesso. Pelo contrário, ter obtido insucesso tem peso importante no momento de um investidor colocar dinheiro na sua empresa.  A falha é importante para gerir um negócio. O fundador do LinkedIn disse certa vez: "Se você não tem vergonha da sua primeira versão de seu produto é porque lançou tarde demais".

Algumas métricas são utilizadas por investidores para saber se seu negócio tem potencial e elas nos ajudam a refletir sobre os modelos de negócios das nossas empresas. Vale aqui o aprendizado:

Sua empresa está resolvendo uma necessidade que ainda não foi satisfeito? O tamanho de mercado é adequado? Tem posicionamento diferenciado? Possui business model? E por fim e não menos importante: Por que nós e por quê agora?

Para finalizar nossa agenda do dia, recebemos o Duncan Logan, CEO da Rocketspace, uma mais que incubadora que já teve o Uber em seu espaço como start-up. Segundo Logan, a economia do futuro é o talentalismo e não o capitalismo. É um modelo que a empresa não deve servir apenas a seus acionistas e sim, também, a sociedade e ao mundo em que vivemos.

Este foi apenas o primeiro dia. Amanhã tem mais inspiração.

 

 

02 de junho de 2015-06-12

 

Depois de um dia inspiracional de ontem, o grupo seguiu animado para o segundo dia de visitas. Primeiramente visitamos a Lexicon, uma importante empresa de naming localizada na charmosa Sansalito. O grupo teve a oportunidade de ver a apresentação da empresa feita pelo Head de Criação, Michael Quinn. A Lexicon informou que fala a seus clientes que "a marca é sua mídia permanente e a única coisa que seu concorrente não pode copiar".

Com aproximadamente 30 empregados, a Lexicon conta com um time de advogados e especialistas em linguística para trabalhar em projetos de naming. E eles fazem exclusivamente isso. Fiz pessoalmente uma apresentação sobre a ABEDESIGN e as iniciativas do projeto, o que brilhou os olhos do criativo da empresa.

Após a visita na Lexicon, fomos a renomada empresa GE. A empresa utiliza a metodologia de Design Thinking para desenvolvimento de projetos, nos quais são feitos por equipe multidisciplinares e de forma colaborativa.

A última visita do dia foi a Liquid, uma empresa de Brand Experiência renomada no Vale do Silício. Foram apresentados alguns cases da empresa e o grupo pode fazer uma troca muito positiva sobre seu modelo de negócios.

Amanhã tem mais notícias do Vale.

 

03 de junho de 2015

 

Hoje foi um grande dia. Para começar fomos a D. School, um braço da belíssima e renomada Universidade de Stanford. A D. School não é uma faculdade e sim uma área dentro da Universidade que serve de apoio a todas as sete faculdades pertencentes a Stanford, passando de medicina a engenharia. Lá os alunos prototipam suas idéias e seus projetos são normalmente apresentados a investidores para virar negócios e a escola ainda ajuda em 10% do valor de funding como forma de potencializar o projeto. Como diz a própria escola "a D School se tornou a B School", referindo-se a renomada escola de negócios.

De lá, fomos convidados a almoçar no LinkedIn, nossa segunda visita. O campus, absolutamente incrível, deixou o grupo bastante a vontade como se fossem funcionários. O refeitório com capacidade para 1.500 pessoas contava com sete tipos de comidas, como vegana, mexicana, italiana, entre outros. Um máquina de frozen yogurte estava disponível para os funcionários. Tudo de graça.

O LinkedIn, assim como o Google, os funcionários são o bem mais importante da empresa. Lá podem tomar café, almoçar e jantar todos os dias da semana, sem nenhum custo. Usufrem de bicicletas para se locomover no campus, sem nenhum custo. Não existe reuniões marcadas entre 10 da manhã e 4 da tarde. As pessoas precisam de um tempo de manhã e final do dia para cuidar de suas agendas pessoais.

Há cinco anos o LinkedIn contava com 5 designers, hoje são mais de 100. Para fazer parte da equipe não basta ter um portifólio incrível, você precisa mostrar que possui a essência da empresa.

Já no Google, foi uma experiência a parte. Um enorme campus rodeado por bicicletas que permite o deslocamento dos funcionários. Cada prédio possui um café com lanches prontos, comida, bebidas e frutas totalmente de graça a funcionários e convidados de funcionários. Espaço para esportes com direito a piscina com máquina de onda para nadar sozinho. Lá não há lugares fixos, cada um tem total autonomia para seus projetos. 

Toda semana os fundadores se reúnem com os 20 mil funcionários presentes em Montain View para tratar temas diversos. A empresa disponibiliza ônibus para levar e buscar seus funcionários, de graça. O ônibus conta com acesso wifi, portanto, o funcionária ainda pode trabalhar em seus projetos, caso queira. A empresa está aberta 7 dias por semana, você pode trazer seu cachorro, sua família e ter suas roupas lavadas. Um ambiente totalmente aberto e receptivo para que o colaborador se sinta confortável.

As empresas visitadas hoje mudam completamente nosso modelo mental do que é o ambiente corporativo para que os funcionários rendam mais. Quando perguntados sobre como é trabalhar no Google ou LinkedIn, respondem "I am fortunate".

Amanhã será o dia de visitar GVSLabs e Singularity University.

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04 de junho de 2015

 

Fomos hoje a GSVLabs, uma incubadora localizada no Vale do Silício. O espaço é extremamente amplo com direito a um tubo para escorregar para se mover de um piso a outro. Fomos recebidos pelo simpático Bobby que nos surpreendeu com seu português, adquirido durante uma vivencia de um ano e meio no Brasil.

O principal aprendizado, como já visto antes, seriam os conceitos de mentor e payback. Lá o pensamento é de ajudar pessoas e colaborar com o compartilhamento de conhecimento. E tudo de graça.

A maioria das pessoas do Silicon Valley não me motivam pelo dinheiro como fim, todos buscam criar  coisas novas para mudar o mundo.

De lá fomos a Singularity University que, como o próprio nome diz, é uma Universidade Singular. Com apenas sete anos de atuação, a universidade é mantida com grandes marcas da iniciativa privada como Nokia, Autodesk, Google, Cisco, Nasa e Kaufmann.

São seis cursos que passam de Inteligência Artificial a Medicina e Neurociência. Um lugar incrível onde a inovação corre na veia.

 

05 de junho de 2015

No ultimo dia de nossas visitas, fomos hoje a GoPro. Imagino que o que todos possuem em mente são aquelas cameras super resistentes que podem ir embaixo d’água e nan eve, mas a GoPro vai muito além disso. A empresa possui cinco produtos que incluem desde a máquina até programas de software e canal de TV. A empresa trabalha essencialmente com UX, ou seja, experiência do usuário através de recursos de storytelling.

De lá fomos para a IDEO, uma das mais renomadas consultorias de inovação do mundo. Localizada na região de Embarcadeiro de São Francisco, a empresa é magnífica. Bicicletas em varais, phone booth (cabines de telefone) e uma área de prototipagem incrível. Fomos recebidos por um brasileiro que nos apresentou as diretrizes da empresa. O mais interessante foi ouvir que o Design Thinking não é mais um diferencial das empresas, pois ele passou a fazer parte do processo. Assim como os princípios de Bauhaus influenciaram toda a Era da Máquina, o Design Thinking está influenciando toda a Era da Experiência.

Para finalizar nossa agenda no Vale do Silício fica aqui uma frase que expressa bem o espírito aqui: “Melhor pedir perdão do que permissão”. Aqui a iniciativa das pessoas estão em primeiro lugar, por isso o empreendedorismo está tão explícito.

 

Como gerente executiva do Projeto Brasil Design foi uma grande satisfação liderar este projeto junto com meus colegas Gisela Schulzinger e Érico Fileno. Um grande momento de ruptura de modelo mental. Espero ter compartilhado um pouco sobre nossas impressões durante a viagem.

 

Abraços,

 

Carol Maccarone

Gerente Executiva

 

 

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