Cervejeiros Artesanais Apostam no Rótulo Para Conquistar Amantes da Bebida – Portal Uai

Cervejeiros artesanais apostam no rótulo para conquistar amantes da bebida

Com 25 fábricas, Minas Gerais produz 800 mil litros por mês

 

  

Luciane Evans – .

Publicação:15/12/2014 08:48

Tradicionais ou ousados, rótulos de todos os tipos mostram qualidade e proposta da bebida: fabricantes trabalham com troca contínua da capa (Ramon Lisboa/EM/D.A Press )

 

Tradicionais ou ousados, rótulos de todos os tipos mostram qualidade e proposta da bebida: fabricantes trabalham com troca contínua da capa

Criativas, coloridas ou não, ousadas ou tradicionais, mas com garras afiadas para fisgar o mercado. Sem condições financeiras de competir de igual para igual com as marcas de cervejas industriais nacionais, os cervejeiros artesanais mineiros, geralmente pequenos empresários, têm conquistado consumidores investindo além do sabor especial da bebida: nos rótulos. Engraçado, bonito e atraente, o lado de fora da garrafa é, segundo os produtores, obra de arte e, como tal, tão importante quanto o que está dentro dela. Se para quem compra é divertido, para quem produz a coisa é séria. Tanto é que já há designer se especializando no ramo cervejeiro. O valor de cada criação varia entre R$ 1 mil e cerca de R$ 10 mil. O retorno, segundo os empresários, é a conquista do bom apreciador da cerveja antes mesmo do primeiro gole.

 

Com o mercado artesanal da bebida cada vez mais consolidado em Minas Gerais, onde há 25 fábricas e 55 dos 120 estilos produzidos no mundo, sendo o segundo produtor de cerveja artesanal no Brasil. “Perdemos apenas para o Paraná, onde são 1 milhão de litros produzidos por mês. Em Minas, são 800 mil litros mensais”, comenta Humberto Ribeiro Mendes Neto, proprietário da cerveja Jambreiro, da Cervejaria Inconfidentes. Humberto, que já foi presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais, lamenta que a produção brasileira seja tão tímida em relação à industrial. “Os 800 mil litros produzidos aqui por mês artesanalmente são feitos por uma única fábrica da Ambev em apenas oito horas”, compara. Os números dão uma dimensão do quanto o segmento ainda está caminhando e escancaram a necessidade da competição mais alternativa. “O nosso setor representa 0,2% do mercado”, diz Humberto.

 

Por estas e outras que os rótulos passaram a ter tanta importância para os cervejeiros artesanais, já que é uma forma de atrair o olhar do consumidor. Há quatro anos, o designer gráfico Fábio Guimarães fez o seu primeiro trabalho no ramo das cervejas. “As bebidas importadas que chegavam ao Brasil em 2010, sobretudo as americanas, vinham com uma proposta diferente. O cervejeiro percebeu que precisava inovar. Eu procurei clientes, e o primeiro deles foi do Sul do Brasil”, recorda. Na época, Fábio fazia criação para várias áreas, até que, este ano, ele diz ter 80% do seu serviço voltado para o ramo da cerveja artesanal, com clientes em Minas, Sul do país, São Paulo e Mato Grosso. “O mercado está crescendo muito. Brinco que, se alguém me ligar dizendo ser o Bill Gates e querendo o meu serviço, só pego se for para cerveja”, diverte-se.

 

 

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